EPIDEMIA SILENCIOSA O USO INDISCRIMINADO DE PSICOFARMACOS E BENZODIAZEPINICOS E SEUS IMPACTOS NA SAUDE MENTAL E SOCIAL
Palavras-chave:
Psicofármacos. Benzodiazepínicos. Classes farmacológicas. Dispensação. Uso Irracional. Impactos.Resumo
A epidemia silenciosa do uso indiscriminado de psicofármacos e benzodiazepínicos têm convertido a ansiedade em um negócio e o alívio instantâneo em uma ameaça coletiva. Este estudo aborda a banalização e o uso abusivo dessas substâncias em municípios do Cariri Ocidental (Monteiro e Serra Branca), investigando os impactos biopsicossociais do consumo crescente. Considerando a elevada prevalência de transtornos de ansiedade e da dependência química e física associada aos benzodiazepínicos (BZDs), procurou-se compreender os padrões de consumo e os reflexos da farmacologização. A pesquisa, de natureza descritiva e quantitativa, analisou relatórios da Farmácia Popular referentes ao período de janeiro de 2024 a maio de 2025, complementados por uma revisão bibliográfica minuciosa. Os resultados indicam que os psicotrópicos corresponderam a 10,88% do total de medicamentos dispensados, com prevalência significativa de antidepressivos e ansiolíticos. Esses dados, além de serem meramente estatísticos, revelam deficiências na atenção primária regional, fortalecem a cultura da medicalização e alertam sobre os riscos de um cuidado centrado exclusivamente na prescrição. Ao explorar os aspectos que favorecem a perpetuação dessa realidade - desde a prática clínica acelerada até a carência de informações entre a população - a pesquisa destaca um problema crítico de saúde pública. Esta análise ultrapassa a dimensão estatística e nos convida a enxergar o dilema: medicamos a dor ou apenas silenciamos o que ela revela?

